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Iniciantes

7 Erros de Quem Começa a Andar de Bike (e Como Evitar)

Veja os erros mais comuns de iniciantes no ciclismo e como evitá-los sem gastar dinheiro à toa.

Boa parte de quem desiste da bike nos primeiros meses pode estar desistindo por causa de um ou dois desses erros: acha que "ciclismo não é pra mim" e nem imagina que o problema era simples de resolver.

Separei os 7 mais comuns, na ordem que costumam aparecer: primeiro na hora da compra, depois no ajuste da bike, depois na rotina de uso.

1. Comprar a bike pelo visual, pelo preço ou por influência

Já vi muitas pessoas que começam decididas a entrar no mundo do ciclismo e pesquisam bastante, tanto na internet quanto perguntando a outras pessoas, qual a melhor bike para escolher. E nessa acabam chegando a uma bicicleta cara que realmente é boa, mas o problema é que a pessoa desiste depois, e a bicicleta vira apenas R$5.000 a R$8.000 parados na garagem, porque, no impulso, quiseram garantir a melhor bicicleta para pedalar.

Também tem quem compre uma bike que dizem ser boa por causa do preço, mas depois gasta tanto com manutenção que o barato sai caro, porque as peças não têm qualidade suficiente para continuar eficientes depois de alguns quilômetros. Esse foi o meu caso: pensei que a Absolute era perfeita (nenhuma marca é) e confiei que os freios dela seriam bons, mas, spoiler: o freio que veio na minha bike é muito criticado, e com motivo, porque com alguns dias de uso a frenagem simplesmente some, dando lugar àquele barulho chato no disco.

Como evitar: antes de comprar, olhe a lista de componentes da bike, principalmente freio e câmbio, em vez de olhar só a marca ou o preço. Defina quanto você quer gastar antes de entrar na loja e, se possível, teste a bike. Pra primeira bike não precisa ser a mais cara: uma intermediária bem equipada, ou uma usada em bom estado, costuma ser uma escolha mais segura. E confira a tabela de tamanho de quadro por altura do fabricante, sem estimar "no olho". Se ainda tá em dúvida sobre qual bike escolher, vale conferir o meu guia MTB para iniciante, como escolher sem errar.

2. Ignorar a altura do selim

Depois da compra certa, outro erro bem comum é nem tocar no selim, deixando ele na altura de fábrica ou de quem usou a bike antes.

Selim baixo demais sobrecarrega a parte da frente do joelho, bem atrás da patela, porque a perna fica sempre mais dobrada durante a pedalada.
Selim alto demais faz o oposto: força a lombar e faz o quadril balançar de um lado pro outro a cada pedalada, tentando alcançar o pedal.

A real é que não existe uma fórmula mágica para ajustar o selim. Mas o que eu faço, sem consultar bike fit ou profissional da área, é apenas montar e pedalar. Se eu preciso me mover demais em cima do selim ou me esticar para fazer mais força no pedal, é porque está alto demais, então abaixo um pouco. Já se, na maior parte do tempo, meu joelho sobe demais no topo da pedalada ou fica muito dobrado mesmo com o pedal no ponto mais baixo, eu subo o selim, até chegar num equilíbrio onde, com o pedal no ponto mais baixo, o joelho não fica nem muito dobrado nem totalmente esticado.

Uma referência que ajuda: com o pé na posição normal de pedalar, no ponto mais baixo do pedal, o joelho deve ficar com uma leve flexão, algo em torno de 25° a 35°. E se mesmo assim você sentir dor no joelho ou nas costas, vale procurar um bike fit.

O ajuste pode não parecer, mas faz bastante diferença. Com o selim baixo demais, você gasta mais força para andar, porque a perna fica sempre dobrada e trabalha com menos eficiência. Quando o selim está ajustado, a perna consegue empurrar o pedal por um trajeto melhor e você pedala mais rápido sem fazer tanta força. Isso é uma experiência real, até porque meu canote fica abaixando por algum defeito, e é horrível andar com o selim desajustado, você se cansa mais, desnecessariamente.

3. Andar com pneu murcho

Esse foi o erro que mais me surpreendeu. Pneu murcho não é só desconfortável: ele é uma das causas mais comuns de um tipo específico de furo e também de perda de rendimento na hora de pedalar mais rápido, e eu vou explicar melhor.

Pneu murcho causa furo porque a câmara fica espremida entre o pneu e o aro quando a roda bate num buraco, e pode cortar por dentro. Foi o que aconteceu comigo. Mesmo tendo selante, não adiantou muito. O pneu estava mal calibrado e eu estava com um óculos daqueles de filtro azul que dificulta enxergar a estrada, então passei por um buraco numa pista toda quebrada e a câmara rasgou na hora, sem mais nem menos. Só percebi quando senti a bike mais pesada pra pedalar.

Fora o furo, tem outro efeito que a maioria nem associa à pressão baixa: o esforço extra que você sente ao pedalar. Isso também aconteceu comigo, e eu pensando que era falta de condicionamento. Pedalar com pneu mal calibrado é como tentar caminhar dentro de uma piscina, tudo fica mais pesado. Porém, quando você enche o pneu na quantidade certa, você pedala e sente que a bicicleta está literalmente andando sozinha, fica até mais leve.

Calibragem semanal é o mínimo, porque mesmo sem furo algum, as câmaras de ar não conseguem manter 100% do ar dentro delas, e o ar vai diminuindo um pouquinho a cada dia. Mas também não adianta exagerar: pneu cheio demais perde aderência e deixa a pedalada mais dura, então o ideal é seguir a faixa de pressão indicada na lateral do pneu. Se você quer saber a pressão certa pro seu tipo de bike e peso, e como calibrar de verdade, o guia completo está no meu post de qual a pressão certa do pneu da bike.

4. Achar que a bike já vem pronta, sem regular nada antes do primeiro pedal

Bikes de entrada (como as hardtails, com suspensão apenas na frente) geralmente vêm de fábrica com o câmbio "cru", sem ajuste fino, e com a suspensão dianteira sem regulagem pro peso de quem vai pedalar. Isso quer dizer que a marcha pode ficar pulando sozinha no meio do pedal, e o garfo pode ficar batendo no fim de curso a cada buraco. Se o seu garfo for a ar, a pressão precisa ser ajustada ao seu peso; se for de mola, o ajuste costuma ser só de pré-carga, ou nem existe.

Isso acontece porque nenhuma bicicleta vem completamente montada e regulada. Eu já tive problemas no aro e quase pedi reembolso por uma bike cuja causa principal era apenas a falta de regulagem nos raios (que o próprio mecânico que montou não tinha feito). Então, mesmo ao levar para um mecânico montar, é necessário perguntar o que exatamente ele regulou, porque alguns deixam muita coisa para trás só pra terminar a montagem.

5. Usar roupa inadequada

Calça jeans com costura grossa ou tecido de algodão que fica úmido demais com o suor, encostando direto no selim por uma hora, é receita certa pra assadura. E eu... na real, tudo aqui já aconteceu comigo, queria ter sabido dessas coisas antes.

Não precisa virar atleta de uniforme completo, até porque um calção com entrepalha/palmilha (aquela parte acolchoada por dentro) ou um tecido dry fit já resolve boa parte do desconforto. Tênis de corrida também não é o ideal pra pedalar, porque uma sola mais rígida evita que o pé "afunde" no pedal e desperdice força a cada pedalada. Às vezes você quer mais força pro pedal e o tênis de corrida "engole" metade do esforço. Sapatilhas de ciclismo são outra história: a sola é tão rígida que, quando se pisa no chão de cerâmica, parece que está caminhando com sapato social. O barulho que faz é quase cômico.

6. Esquecer a manutenção básica

Corrente seca, com óleo demais, cheia de terra ou sem limpar e lubrificar acelera o desgaste dela mesma e do cassete junto. E quando isso passa do ponto, a troca que seria só da corrente vira troca de corrente e cassete ao mesmo tempo, um custo bem maior do que precisava ser.

Por isso, sempre que chegar de um pedal, é importante conferir como está a corrente e, periodicamente, limpar e lubrificar. Até porque uma corrente bem cuidada evita destruir o cassete e te dá confiança pra encarar uma subida com mais força, sem ela dar aquela travadinha de "ó, se eu quisesse" que faz seu pé escapar do pedal e você acabar batendo os ovos no quadro.

Checagem mensal da tensão dos raios também evita que a roda comece a sair do alinhamento sem você perceber, o que pode levar a quebra de raio em série se ignorado por muito tempo. Inclusive o aro traseiro da minha bike, ao girar, eu percebo que está balançando levemente para os lados. Não deixe a sua assim por muito tempo.

A boa notícia é que isso não exige oficina nem ferramenta cara, só um hábito simples de poucos minutos.

7. Sair pra pedalar sem kit mínimo

Furar a 30 km de casa sem câmara reserva significa duas opções ruins: chamar socorro se tiver créditos e sinal, ou empurrar a bike de volta. Nenhuma das duas é como você queria terminar o pedal.

O kit básico não ocupa espaço nem pesa, mas é justamente o que a maioria (eu e uns amigos, por exemplo) só passa a levar depois de se prejudicar várias vezes. Câmara reserva na medida certa da sua roda, duas espátulas pra desmontar o pneu, uma bomba pequena e uma multi-tool com chave allen pra qualquer aperto de emergência.

Com isso guardado numa bolsa de selim, um furo deixa de ser motivo pra voltar andando e pensando no que tá fazendo da vida, e vira só uma parada rápida no meio do pedal.

Juntando os sete

Nenhum desses erros sozinho acaba com a experiência de pedalar. O problema é quando vários se acumulam ao mesmo tempo: selim mal ajustado, pneu murcho e sem kit nenhum na primeira saída mais longa. Aí sim a chance de desistir cedo demais, ou de se dar mal, aumenta bastante.

Corrigido um por um, sobra só o que realmente importa: sair de casa e pedalar. Se você ainda está decidindo qual bike comprar antes de cair em qualquer um desses erros, comece pelo meu guia MTB para iniciante, como escolher sem errar, e depois calibre certo com o guia de qual a pressão certa do pneu da bike.